Para que um atleta possa desempenhar o seu melhor em campo, existem diversos segmentos de saúde que precisam ser trabalhados de forma criteriosa com o objetivo de, manter um nível físico ideal e trabalhar sua manutenção, afim de evitar lesões que possam afastar o atleta e frustar todo um trabalho multidisciplinar tanto pelo departamento médico como pela gestão técnica de um clube profissional. Poucos ainda sabem, mas um ponto importante nesse processo de controle de saúde e desempenho é a manutenção da saúde odontológica. Apesar de sua importância estar bem difundida no âmbito esportivo como demonstram algumas pesquisas recentes, ainda há falta de ação preventiva nesse quadro.

Doenças bucais podem acometer o atleta de forma direta ou indireta. Um caso clássico é a presença do terceiro molar (siso) por tempo demasiado, o clube e o atleta costumam se preocupar com o dente do siso quando seu quadro é agudo e emergencial (como já aconteceu em um caso clínico nosso Clique Aqui) o que é um erro pois resulta além de desfalques repentinos durante a temporada, o desenvolvimento de doenças infecto-inflamatórias. Essas doenças como as gengivites e as periodontites podem ter um impacto negativo no sistema imunológico.

Entre 2003 e 2006, em uma pesquisa longitudinal com os jogadores do Barcelona Futebol Clube (Artigo Aqui) os atletas que apresentavam doenças bucais infecciosas também apresentavam recorrência de lesões musculares durante o período de 36 meses (três temporadas). Essas características clínicas também foram observados alguns anos depois (2013) em pesquisas com ratos de laboratórios submetidos a doenças inflamatórias bucais que também tiveram impacto negativo tanto no desenvolvimento de lesões musculares, como no atraso em seu processo de reparação (Artigo Aqui).

Condições ideais de saúde bucal ainda costumam ter um viés de controle dentro clubes no futebol. Em 2015 foi realizada uma pesquisa odontológica na Premier League (Campeonato inglês) com o objetivo de averiguar a associação entre a má saúde bucal dos atletas com o excesso de lesões musculares, e, constatou que dos 184 jogadores avaliados 63% (115,92) apresentaram uma, duas ou mais doenças odontológicas, e a má saúde oral foi positivamente associada a todos os tipos de lesões recorrentes desses atletas (Artigo Aqui).

É importante lembrar que a maioria das doenças odontológicas apresentam-se de forma assintomática, ou seja, sem a presença de dor, por isso é importante que realize-se avaliações odontológicas de rotina, mesmo que o atleta não apresente nenhuma queixa.

A disseminação da importância da odontologia do esporte é amplamente divulgado através de pesquisas e mídias esportivas. A medicina esportiva no Brasil é uma das melhores do mundo, apesar disso as ações de conscientização sobre a saúde odontológica do atleta não se converge de fato em ações preventivas internas nos clubes profissionais. Em pleno 2018 em ano de copa do mundo, essa falta de coerência ainda é um fato preocupante se levarmos em conta que trabalhos de conscientização e projetos de prevenção ocorrem pelo menos desde as ultimas cinco olimpíadas, ou seja há mais de uma década.

A Academia Brasileira de Odontologia do Esporte assim como as outras academias espalhadas pelo mundo, lutam a cada dia que passa para que todos os clubes esportivos apresentem uma atenção odontológica especializada, apenas dessa forma tanto o clube como os atletas de fato terão uma assistência preventiva e emergencial de qualidade, elevando o nível de saúde e desempenho esportivo.

Encerro a coluna com uma frase que o próprio Centro de Excelência Médica da FIFA divulga sobre a responsabilidade dos clubes de futebol em relação a saúde bucal de seus atletas.

“O clube de futebol deve identificar e prevenir o atleta de doenças dentárias e emergências odontológicas, o atleta deve ter capacidade de treinar e competir em um nível ótimo sem ser comprometido por doenças e emergências evitáveis”

Caio Capitani dos Santos

  • Graduado em Odontologia
  • Pós Grad. em DTM e DOF
  • Especialista em Ortodontia e Ortopedia Facial
  • Especialista em Odontologia do Esporte
  • Especialista em Ciências do Esporte
  • Diplomado FIFA em Medicina do Futebol
  • Diretor Clínico do Instituto Esporte & Odonto (Santos/SP)
  • Membro da Academia Brasileira de Odontologia do Esporte
  • Professor do Curso de Especialização de Odontologia do Esporte – SL Mandic

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